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A inovação e as empresas

Se existe algo que uma empresa quer é inovação.  Essa tal inovação significa muitas coisas.   Gera a percepção de liderança em tecnologia, dá a ideia de que há muito em jogo e, por isso, essa empresa investe milhões em pesquisa.  Falando assim até parece que estamos falando de indústria farmacêutica, onde uma única molécula pode garantir anos e anos de vida de uma empresa, colocando-a na liderança e gerando milhões de dólares mundo afora.  Acontece que estamos falando de tecnologia, essa criatura facilmente copiável e tão mal compreendida.

O que eu vejo é imitação com melhoria. Inovação de verdade, eu vejo muito pouco. Também vejo muito frisson em torno de tecnologia, coisas que  quicam e pulam, tem charminho, tem design bonitinho que fazem coisas engraçadinhas. Inovação mesmo (de verdade) poucas empresas e empresários ousam fazer de verdade.  Os que fazem ficam anos esperando que alguém ache legal o que eles fazem e usem com fins comerciais.  Sob a alegação de que os custos de implantação ou da própria tecnologia, estas novidades ou revoluções ficam esperando anos para serem incorporadas aos produtos e processos.

Acontece que a inovação exige não só tecnologia, mas coragem de mudar. Mudar todos os sistemas legados que hoje fazem as empresas bem ou mal pagarem suas contas. Mudar processos que (só agora) boa parte do mercado conhece e que finalmente foi incorporado aos processos (Ufa!).  Sim, agora! Justo agora que finalmente as coisas estão andando e de alguma maneira trazendo retorno financeiro.   Justo agora aparece essa coisa nova, que a gente não sabe se o usuário vai entender, para atrapalhar/ fazer mudar.  O resultado é que há uma inovação a cada 10 anos e anos e anos de melhoria contínua.

Outro ponto para ponderar é o quanto estamos preparados para pagar pela mudança. Falei de sistemas legados e processos, mas ainda temos que pensar sobre o risco e o esforço para conquistar o mercado. O preço a pagar é alto.  Nem sempre e nem todas as inovações são imediatamente aceitas por um segmento valioso, identificável e mensurável do mercado. Concordo que quanto maior o risco, maior o retorno. Mas quantos acionistas e CEOs estão dispostos a correr esse risco? Num mundo de mudanças contínuas parece menos arriscado fazer upgrades, fazer lançamentos de versões e cópias ad infinitum.

Nestes 18 anos de Internet comercial conhecemos muitos empreendedores que arriscaram tudo por acreditarem em seu modelo de negócio. Ficou claro o esforço e o tempo que demorou até que os novos modelos de negócio funcionassem. E agora, justo agora, chegou a vez do móbile.

Este ambiente não é tão fácil como parece. As plataformas não se conversam, os custos de desenvolvimento são desafiadores, uma vez que há inúmeras plataformas e sistemas operacionais para atender. Para piorar, encontrar uma linguagem que seja proprietária, única e que funcione para cada plataforma é uma briga, um investimento enorme. Vamos ver quem vai comprar essa briga.

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Objetivos do Blog

This blog is all about the relationship between Interacting (acting on something, and then receiving feedback/communicating) and experiencing something (an event or occurrence) and/or feeling (an emotion). I will discuss the subject in many ways – digital, non-digital, from food to avatars in games.

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