Por que ninguém me ouve??


Acredito que parte dos leitores trabalha dentro de empresas, seja como CLT ou PJ, e que trabalhem com UX de alguma maneira. Se isso for verdade, vocês compartilham uma dor comigo: a de muitas vezes não ser ouvido. Você chega para o gerente de produto, para os diretores e VPs e diz “o usuário não sabe usar o que vocês criaram”, ou pior “não é isso que o usuário precisa”. E nada! Nem dão bola pra você, que fica achando que falou em aramaico ou qualquer outra língua morta.

Pode acontecer outra situação, ainda mais triste. Você fez os testes, fez os vídeos com horas e horas de pessoas dizendo o quanto o tal software/site/produto as frustra ao usar, mas ninguém se interessa em ver esses depoimentos e continuam a criar interfaces, fazendo demandas que não tem relação com as reais necessidades do usuário.  Pois é. Você não é o único ao passar por isso.

Quanto mais eu converso com colegas mundo afora, mais percebo o quanto esse mal está disseminado nas empresas. Todas as empresas: Fortune 500, Exame 500 Maiores & Melhores, empresas de software e as ponto com. Sim, as pontocom também!!  Surpreso?  Não sei por que. As pontocom são empresas de software disfarçadas de produto, mas não tem “cabeça de marketing”, aquele direcionamento que se preocupa com as necessidades e limitações do usuário.  Não tem e ponto. Competem no universo da tecnologia e, como o mercado aparentemente ainda está para ser desbravado, ligam menos do que deveriam para o usuário.  A questão é que as interações que proporcionamos são determinantes na percepção da qualidade da experiência.

A questão é: como promover mudanças que nos façam ser ouvidos?  Tivemos algum sucesso com os Testes de Usabilidade, com Contextual Inquiry, Mental Modeling  e outras tantas metodologias para trazer para dentro da empresa a visão do que é a experiência do usuário. Recentemente nos dedicamos a estudos etnográficos e levamos para dentro da empresa os resultados, mostrados em palestras com vídeos, fotos e toda a parafernália multimídia.  Exceto por alguma comoção depois de “verem a realidade do cliente”, efetivamente a forma de pensar e abordar os projetos não mudou. O grande foco ainda é o gerenciamento de projetos. Fazer acontecer e lançar,  pronto.

Creio que a única forma de mudar as pessoas e consequentemente a forma de agir, é fazê-las experimentar a realidade. Nada mais poderoso que colocar as equipes de marketing, design e tecnologia misturadas nas ruas, observando o usuário em ação, agindo naturalmente.  Lembre-se, todos nós achamos que o mundo age  à nossa “imagem e semelhança”. Não é arrogância, mas funciona assim. E nada é mais rico do que ver a realidade, vivencia-la e incorporá-la ao nosso modo de pensar, agir e trabalhar.

Acredito que quem faz as pesquisas é quem mais enriquece seu repertório, sabendo como ninguém mais tudo o que o usuário quer e precisa. E é aí que está o erro. Esse conhecimento não será útil enquanto estiver confinado a um ou outro indivíduo. Deve ser adquirido e compartilhado por todos os envolvidos nos projetos.

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  1. #1 by Hotmart afiliados on 1 de fevereiro de 2017 - 12:20

    Um conceito que até muitas empresas grandes erram e quando vem a crise elas quebram é que devemos produzir o que vendemos e Não vender o que produzimos.

    Foi muito legal o que você escreveu sobre isso, pois muitas vezes os usuários não entendem como funciona tal produto, ou mesmo não haja uma demanda para tal produto, e as empresas querem empurrar de qualquer jeito para os consumidores.

    Um dica é sempre fazer uma vasta pesquisa antes de lançar um produto.

(não será publicado)