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Usabilidade não é mais a mesma, mudou para melhor

Publicação original: http://webinsider.uol.com.br/2008/06/16/usabilidade-ja-nao-e-mais-a-mesma-e-mudou-para-melhor/

Lembramos com mais facilidade de coisas que apelam para mais de um sentido. Objetos que possuam apenas o apelo funcional tendem a ser invisíveis, o que é ruim para diferenciar produtos em mercados competitivos.

Costumo ministrar palestras e workshops, onde há profissionais de todas as áreas interessados em trabalhar com Interação Humano-Computador: profissionais de comunicação, de marketing de produtos, designers e outras áreas, nem sempre tão correlatas.
Costumo abrir a palestra perguntando como eles definem usabilidade e não é raro perceber que ?fácil de usar? rapidamente se confunde com ?menos cliques para chegar a algum lugar?. Resumo da ópera, as pessoas confundem duas áreas correlatas: arquitetura de informação e usabilidade.
Isso tem sua raiz na própria história da Arquitetura de Informação, que nasceu com a onipresença das interfaces gráficas traduzindo a arquitetura de sistemas e com a evolução do ISO relativo à usabilidade desde que surgiu em 1991 até sua versão mais recente, de 1998.
Nesse universo, as duas disciplinas preocupam-se em facilitar a tarefa para o usuário.  No caso específico da usabilidade, tendo alguma preocupação estética e linguística, mas sem grandes preocupações estéticas.
Entretanto, vivemos numa sociedade saturada de muitas coisas: informação, chamadas publicitárias (distribuídas nas mais diferentes mídias), produtos competindo no mesmo segmento e claro, uma só pessoa tendo que optar por este ou aquele veículo de comunicação para obter informações, entre este ou aquele produto para comprar.
Em termos práticos isso significa que seu produto e sua comunicação precisam fazer um esforço para encontrar uma brecha na armadura de cinismo que todos nós criamos ao nosso redor para bloquear tamanho assédio. Não adianta falar em princípio ativo do seu shampoo, quero que meu cabelo fique brilhante, para que me admirem e invejem, pensa a consumidora. Não adianta colocar mil atributos dentro do celular, se eles não agregarem à minha imagem o fator coolness.  Isso mesmo, coolness.
Não, nós não mudamos ao longo dos milênios.  Procuramos formas de nos diferenciar como indivíduos dentro do grupo e, ainda assim, pertencer a um grupo.  Para isso, fazemos como nossos antepassados.  Trocamos os cocares, as armaduras e as longas vestes por aparelhos celulares, laptops que fazem de nós cyber warriors aos olhos de nossos pares.  Só mudamos de símbolos.
Para complicar a vida dos gerentes desses novos produtos-símbolo, eles precisam pensar em como criar uma ligação emocional entre o usuário/consumidor e o tal interface digital: hardware e software.  Dos recursos disponíveis para atingir este objetivo o que mais têm crescido é o design.
Um grande sábio (Steve Jobs) diz que só nos lembramos das coisas belas.  Estudos dizem que nos lembramos com mais facilidade de coisas que apelem para mais de um sentido.  Objetos que possuam apenas o apelo funcional tendem a ser invisíveis, o que é péssimo para a diferenciação de produtos em mercados competitivos.
É por essa razão que muitas escolas do exterior abandonaram o ensino de usabilidade como um ISO, ou certificador de qualidade e passaram e a estudar emoções, divertimento (que hoje é uma área de estudos conhecida como funology no exterior) e a cognição de emoções, resultando numa nova disciplina chamada Design de Interação, onde o que importa é a marca que a Marca/Produto deixa emocionalmente e esteticamente no consumidor/usuário.

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